O "...evangelho... é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê..." (Rm 1.16). A santidade e a justiça de Deus exigem que os pecadores sejam eternamente separados dEle. Ser cortado completa e eternamente daquele Amor pelo qual se foi criado equivalerá a arder com uma sede que se tornará cada vez mais insuportável. Mesmo assim, Deus, graciosa e gratuitamente oferece salvação dessa que é a mais terrível condenação.
"O evangelho da graça de Deus" declara:
- que Deus se tornou homem através de um nascimento virginal - Jesus Cristo;
- que esse homem-Deus imaculado morreu pelos nossos pecados, satisfazendo Sua própria justiça sofrendo o castigo eterno que nós merecemos;
- que Ele ressuscitou ao terceiro dia; e que todos aqueles que crêem nEle são perdoados e recebem a vida eterna como um dom gratuito. A salvação é tão simples - e maravilhosa -; ela deve ser pregada com essa simplicidade.
Não são as credenciais acadêmicas, a oratória brilhante ou a persuasão do pregador, porém é o Evangelho puro é que convence os ouvintes. O Evangelho, apresentado em sua imutável pureza, é a mensagem que o Espírito Santo honra convencendo e dando convicção àqueles que O ouvem (João 16:8 - E, quando ele vier, (o Espírito Santo da Verdade, o Consolador) convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo). Essa verdade deve concentrar a atenção dos cristãos!
Ao contrário da crença popular, perícia na pregação (a "homilética") não tem capacidade em sí de ajudar, antes pode atrapalhar a comunicação do Evangelho.
Mesmo que isso possa parecer uma perspectiva extremista e anti-intelectual, tal foi o ensinamento e a prática do apóstolo Paulo, como podemos ler claramente em 1ª Coríntios 2:1-7. Rabino bem instruído, Paulo era, sem dúvida, um eloqüente orador que podia influenciar qualquer platéia. Porém, na pregação do Evangelho, ele deliberadamente deixava de lado a "ostentação de linguagem" (1 Co 2.1) e cuidadosamente evitava as "palavras ensinadas pela sabedoria humana" (v. 13). Sabendo que suas próprias idéias, embelezamentos e habilidades persuasivas eram empecilhos ao invés de auxílios, o grande apóstolo ficou diante de sua audiência "em fraqueza, temor e grande tremor" (v. 3). Devemos proceder da mesma forma.
Todavia, muitos cristãos bem-intencionados fazem exatamente o que Paulo evitava, convencidos de que o Evangelho e o Espírito Santo necessitam da ajuda do conhecimento, da persuasão psicológica e de uma embalagem promocional moderna. Conseqüentemente, a fé de muitos crentes hoje está firmada na sabedoria humana em vez de no poder de Deus - podendo assim, da mesma forma, ser minada por argumentos humanos.
Paulo declarou que a sabedoria de palavra anula a cruz de Cristo (comp. 1 Co 1.17). Portanto, ele determinou que sua pregação não consistiria em "linguagem persuasiva de sabedoria [de homem], mas em demonstração do Espírito e de poder" para que a fé de seus convertidos "não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, no poder de Deus" (1 Co 2.4-5).
A motivação da pregação do Evangelho é: O AMOR
Não são metodologias ou técnicas, mas verdade e amor que iniciam e amadurecem a vida espiritual no crente. O genuíno amor por Deus e pelos outros SÓ pode brotar da aceitação e do reconhecimento do Evangelho (I João 4:19 - Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro). Aquela "velha história" revela o amor de Deus. Aqueles que a pregam em verdade devem ser motivados e fortalecidos por esse mesmo amor.
Bem, talvez você diga: "Eu não sou pastor ou pregador, nem líder ou missionário, e, assim sendo, recomendações tratando da pregação do Evangelho não se aplicam ao meu caso". "A loucura da pregação" inclui compartilhar de Cristo por sobre a cerca com um vizinho, ou com um amigo pelo telefone. O mandamento de Cristo para "pregar o evangelho" e "fazer discípulos" - a chamada "Grande Comissão" de Marcos 16.15 - se aplica igualmente a qualquer cristão do passado, do presente ou do futuro. Esse fato está claro em Mateus 28:18-20, nas palavras de Jesus aos seus discípulos: - "É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém". Os primeiros discípulos de Cristo deveriam ensinar seus convertidos a obedecer cada mandamento que Ele tinha dado a eles - incluindo pregar o Evangelho e ensinar seus convertidos a obedecer todos os mandamentos de Cristo igualmente. E assim até chegar aos nossos dias. Nós também devemos obedecer a tudo quanto Ele ordenou aos primeiros doze.
Essas afirmações de Cristo corrigem uma quantidade de enganos populares, tais como a idéia de que Seus ensinamentos nos quatro Evangelhos são apenas para Israel, ou apenas para serem obedecidos no futuro Milênio, e, assim sendo, não seriam para a Igreja hoje. Também fica eliminada a idéia de que "o evangelho do reino" que Cristo e Seus discípulos pregaram antes da cruz é, de alguma maneira, diferente daquele que é pregado para nós hoje. E uma das principais fontes do engano - o de que existe um sucessor de Pedro e que somente os integrantes da hierarquia religiosa são os sucessores dos outros apóstolos - também é desmentida. Cada convertido a Cristo é igualmente ordenado e fortalecido pelo Espírito Santo para obedecer tudo o que Cristo ordenou aos doze primeiros e conseqüentemente a agir usando toda a capacidade pela qual Ele os treinou e os comissionou.
O Evangelho é a única solução para o problema do efeito destrutivo do pecado na vida diária. Ainda assim, muitos evangélicos perderam sua fé no poder do Evangelho e imaginam que algo mais é necessário; sejam programas atrativos, aconselhamento psicológico ou novas revelações de profetas modernos. Paulo se referiu à "loucura da pregação" porque o Evangelho simples que ele pregava era desprezado.
A Bíblia chama aquele que crê no Evangelho de "nova criatura": "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (II Corintios 5:17).
O Amor de Jesus por nós é a experiência espiritual mais elevada...
A "velha história de Jesus e seu amor", como diz um clássico hino, "é sempre nova" e mais amada por "aqueles que a conhecem melhor." Nós nunca iremos avançar, nem mesmo na eternidade, a uma experiência espiritual ou um entendimento mais elevado do que aqueles produzidos pela fé no Evangelho simples que nos salva. O fato de que Deus nos amou tanto, a ponto de se tornar homem, e, mesmo odiado, rejeitado, desprezado e crucificado, ter morrido em nosso lugar para reconciliar os pecadores consigo mesmo sempre será, para as almas resgatadas, a fonte de amor, alegria e adoração no céu. Por toda a eternidade nunca teremos uma canção mais nova ou melhor do que a "velha história" que sempre é nova.
"Digno és... porque foste morto e com o teu sangue [nos] compraste para Deus", é o mais elevado louvor possível para os redimidos na presença de Deus (Ap 5.9). Nisso consiste o segredo da alegria daqueles que habitam o céu.
Por que, então, alguns cristãos andam deprimidos, inseguros, egoístas, terrenos no modo de pensar e faltos de amor, alegria, paz e vitória em Cristo? A "velha história de Jesus e Seu amor" se tornou, de fato, velha para eles, negligenciada e esquecida. Eles não necessitam de aconselhamento psicológico, mas de um retorno ao seu "primeiro amor" (Ap 2.4). Nós precisamos meditar incessantemente sobre essa verdade supremamente maravilhosa, o simples Evangelho, que sozinho inflama o amor genuíno e a gratidão sincera que devemos, continuamente, expressar a nosso Senhor.
É louvável se alguém, preocupado em conhecer melhor a Deus, estuda grego. Contudo, se a habilidade nessa língua fosse essencial para conhecer a Palavra de Deus e viver uma vida cristã mais frutífera, então seria de se esperar que os gregos fossem o povo mais parecido com Cristo e o mais frutífero dentre todos, e Deus exigiria de nós todos a capacidade de falar grego. Obviamente os gregos nos dias de Cristo e de Paulo conheciam sua língua nativa muito melhor do que os estudantes modernos desse idioma, mas, mesmo assim, eles enfrentaram tanta dificuldade para viverem uma vida cristã quanto qualquer outro. O relacionamento de amor que Deus deseja carece apenas de um coração sincero e confiante no qual possa crescer.
"Oh!, o mais maravilhoso de tudo...", disse um compositor, "é que Deus me ama!" Isso é tão simples que até mesmo uma criança pode crê-lo, mas tão profundo que levaremos toda a eternidade para começar a sondar as profundezas desse amor! O amor de Deus é revelado no fato de ter Cristo morrido em nosso lugar! Certamente aqueles que experimentaram esse amor devem ser impelidos, pelo mesmo amor, a falarem a outros sobre a salvação disponível através da graça de Deus. Somente esse reconhecimento do amor e da graça de Deus, impelido pelo Evangelho, é que transforma pecadores em santos alegres e vitoriosos - e continua a manter esses santos na alegria e na vitória agora e para sempre.